Operação Rei do Pix mira esquema milionário de desvio de recursos da Câmara de Catanduva
Foto: divulgação
Da Redação/Richard Silva
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) deflagrou, na manhã desta terça-feira (2), a Operação Rei do Pix, com o objetivo de desarticular um suposto esquema de desvio sistemático de recursos públicos da Câmara Municipal de Catanduva.
Ao todo, foram cumpridos dez mandados de prisão e mais de 50 mandados de busca e apreensão nas cidades de Catanduva, Adamantina, Bauru, Jaboticabal e São Paulo. Em Catanduva, as diligências incluíram a sede do Poder Legislativo municipal.
As investigações apontam que, entre 2023 e 2024, pelo menos R$ 10 milhões teriam sido desviados do orçamento da Câmara. Segundo o Ministério Público, o valor pode ser ainda maior. A apuração também revelou que, mesmo após os desvios, os envolvidos continuaram realizando movimentações financeiras para ocultar a origem ilícita dos recursos, configurando, em tese, o crime de lavagem de dinheiro.
De acordo com o GAECO, o grupo teria criado mais de 60 empresas de fachada em nome de amigos e familiares. Essas empresas simulavam a prestação de serviços ao Legislativo, emitiam notas fiscais falsas e recebiam pagamentos com dinheiro público. Posteriormente, entre 90% e 95% dos valores recebidos eram devolvidos aos integrantes do esquema.
A investigação também identificou fraudes em licitações e contratações superfaturadas. Conforme o Ministério Público, alguns contratos eram utilizados para repassar aos integrantes da organização criminosa até 30% dos valores pagos pela Câmara.
Por determinação da 1ª Vara Criminal de Catanduva, foi decretada a indisponibilidade de bens dos investigados em valores que variam conforme o grau de participação de cada um. Nos casos considerados mais graves, os bloqueios patrimoniais chegaram a R$ 20 milhões. Também foram apreendidos veículos e quantias em dinheiro.
A operação mobilizou 20 promotores de Justiça, 30 servidores do Ministério Público, 11 agentes da Receita Federal, mais de 200 policiais militares e equipes da Polícia Civil, que prestaram apoio no cumprimento de mandados na capital paulista.
As investigações prosseguem para identificar todos os envolvidos e dimensionar o prejuízo causado aos cofres públicos.




