Mãe coloca gravador na bolsa da filha e denuncia suposta tortura contra criança em escola de Turiúba
Foto: colaboração página Buritama Nugrau
Da Redação/Richard Silva
Uma mãe procurou a Delegacia de Polícia Civil de Turiúba para denunciar supostos maus-tratos, tortura e violência psicológica praticadas contra sua filha de 4 anos em uma unidade escolar municipal. O caso foi registrado em boletim de ocorrência no último dia 29 de maio.
Segundo o relato da mãe à polícia, a criança, com Transtorno do Espectro Autista e Transtorno Opositor Desafiador, passou a apresentar mudanças drásticas de comportamento, incluindo resistência em frequentar a escola, agressividade defensiva e sinais de sofrimento emocional. A mãe afirmou que começou a desconfiar de possíveis problemas após ouvir da filha relatos envolvendo uma professora que teria apertado sua mão com força excessiva.
Ainda conforme o boletim, a responsável buscou esclarecimentos junto à direção da escola e relatou suspeitas de maus-tratos. No entanto, teria sido informada de que as câmeras de monitoramento da unidade não estavam funcionando. Diante da situação, a mãe decidiu colocar um gravador na mochila da criança para tentar identificar o que estaria ocorrendo no ambiente escolar.
De acordo com a denúncia, os áudios obtidos teriam registrado conversas consideradas preocupantes. Entre elas, uma suposta orientação da diretora para que funcionários apertassem o braço da criança sem deixar marcas aparentes, justificando que “era assim que deveria ser tratado crianças doentes”. Em outro trecho, a professora confessa ter apertado os braços da criança e, ordena que outra professora a retire de perto para “não perder o réu primário”.
O boletim também menciona supostas falas depreciativas e discriminatórias direcionadas à criança.
Há também o registro de conversas inadequadas ao ambiente escolar, com o uso de palavrões e ofensas dirigidas as mães de alunos, chamando-as de “cadela”.
A mãe afirmou ainda que a filha passou a sofrer episódios de terror noturno, crises de choro durante o sono e regressão em seu processo terapêutico. Segundo ela, os sintomas diminuíam durante períodos de afastamento ou recesso escolar.
Diante da gravidade das acusações, a ocorrência foi registrada para apreciação da autoridade policial, que deverá analisar o caso e adotar as providências cabíveis. As denúncias ainda serão investigadas e os fatos apurados pelas autoridades competentes. O boletim de ocorrência foi registrado como tortura.
A Prefeitura Municipal se posicionou através de nota:
“Prefeitura Municipal de Turiuba, por intermédio da Secretaria Municipal
de Educação, preza pela segurança e bem estar de todos seus alunos e
servidores. No entanto devido aos fatos narrados de divulgação de
vídeos, gravações e suposta agressão física a aluna menor da rede
municipal de educação, no qual ganhou proporção inclusive em redes
sociais, que somente na data de 01 de junho de 2026, a Administração
Pública tomou conhecimento dos fatos, por intermédio da Notícia Fato que
tramita junto a Promotoria de Justiça da Comarca de Buritama sob o nº
0219.0000056/2026, no qual foi concedido o prazo de 10 dias para
manifestação do Poder Público, com encerramento em 11 de junho de 2026.
No entanto a Municipalidade afastou as funcionárias supostamente
envolvidas e dará abertura a processo de Sindicância Administrativa,
para apuração dos fatos sempre zelando pelos princípios norteadores da
Administração Pública”.




