3 de junho de 2026



Operação Frete Grátis mira esquema que fraudou Mercado Livre em R$ 2,5 milhões

Foto: ilustrativa

Da Redação/Richard Silva

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), com o apoio do 9º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP), deflagrou na manhã desta terça-feira (26/5) a Operação Frete Grátis, tendo como alvos pessoas físicas e jurídicas que fraudaram o Mercado Livre em mais de R$ 2,5 milhões. As diligências visam ao cumprimento de dez mandados de busca, sendo cinco na cidade de Tanabi, um numa empresa de Bálsamo, um numa empresa de Mirassol e três em São José do Rio Preto. Desses últimos, dois são direcionados a endereço em condomínio de alto padrão, enquanto o outro é voltado à sede da empresa de um dos investigados. 

Os suspeitos se dividem em dois grupos: um com atuação na região de Tanabi e outro na de Rio Preto. Contudo, como as apurações apontaram que ambos usam os mesmos métodos fraudulentos, é possível que todos façam parte de uma grande organização. Um dos objetivos da investigação consiste justamente em descobrir se os dois núcleos estão associados entre si e quem são os principais beneficiários do esquema. Isso poderá ser feito a partir das provas físicas e digitais coletadas.

Foram identificadas duas espécies de fraudes. Na primeira delas, os investigados anunciavam, na plataforma do Mercado Livre, diversos itens para venda, incluindo móveis como armários, estantes, gabinetes de banheiro, cômodas, etc. Entretanto, com a ajuda de colaboradores da própria empresa vítima, previamente aliciados, conseguiam alterar as dimensões e os pesos dos produtos, reduzindo drasticamente o valor do frete. O método permitia reduzir também o valor da própria mercadoria e, assim, ganhar vantagem sobre a concorrência. Segundo o GAECO, era como se os envolvidos anunciassem um armário de cozinha com o peso e as dimensões de uma caixa de fósforos, induzindo fraudulentamente o sistema do Mercado Envios, empresa do grupo Mercado Livre responsável pelo transporte dos produtos vendidos, a calcular o valor do frete com base na caixa de fósforos, cujo peso é infinitamente menor do que o do móvel realmente vendido. Isso se repetiu por milhares de vezes. Na segunda forma de irregularidade, a vítima era induzida a efetuar o pagamento de transportes de mercadorias que deveriam ser recolhidas de consumidores insatisfeitos (devolução), mas esse recolhimento não acontecia.

Participam da operação oito promotores de Justiça, dez servidores do Ministério Público, 13 equipes operacionais e 62 policiais militares do 9º BAEP.