Empresa é lacrada após denúncias de furto de água, energia e crime ambiental em Birigui
Foto: Diego Alves/Birigui Notícias da Hora
Da Redação/Richard Silva
Uma empresa de reciclagem instalada no bairro Jardim Primavera, em Birigui, foi lacrada pela Prefeitura na tarde desta quinta-feira (21), durante uma força-tarefa coordenada pela Secretaria Municipal de Segurança Pública, com apoio da Guarda Civil Municipal, Polícia Civil, CETESB, CPFL, Secretaria de Tributação e Departamento de Água e Esgoto.
A operação ocorreu em um imóvel localizado na rua Pedro San Miguel, onde funciona uma empresa responsável pela reciclagem de materiais plásticos, incluindo forros utilizados em granjas, que chegariam ao local com resíduos de fezes de galinhas.
A fiscalização foi motivada por diversas denúncias feitas por moradores da região, que reclamavam de forte mau cheiro e da grande quantidade de moscas nas residências próximas ao imóvel.
Equipes da CETESB estiveram no local e a Polícia Civil irá investigar um possível crime ambiental. Segundo informações apuradas pela reportagem, há indícios de que a empresa estaria descartando diretamente na rede de esgoto a água utilizada na lavagem dos materiais recicláveis, contendo resíduos provenientes do processo de limpeza das fezes de galinha.
Durante a ação, o Ministério Público do Trabalho também foi acionado após a constatação de possíveis irregularidades trabalhistas, incluindo funcionários sem registro em carteira e a presença de menores trabalhando em condições consideradas insalubres.
Equipes da CPFL Paulista também participaram da operação e constataram furto de energia elétrica. Conforme as informações obtidas no local, o fornecimento estaria cortado desde 2020, o que impediria o uso regular de energia no imóvel.
Já as equipes responsáveis pelo abastecimento de água e esgoto identificaram furto de água e adulteração do hidrômetro.
O responsável pela empresa esteve no local, foi qualificado pela Guarda Civil Municipal, mas deixou o imóvel antes da conclusão das fiscalizações e não retornou até o encerramento da ocorrência.
O prédio ainda passou por perícia realizada por uma equipe do Instituto de Criminalística de Araçatuba.
Segundo informações obtidas durante a fiscalização, o imóvel já havia sido interditado pela Prefeitura em 2023 devido a irregularidades. No entanto, os responsáveis teriam rompido o lacre de interdição e retomado as atividades de forma clandestina.
A operação foi coordenada pelo secretário municipal de Segurança Pública e Mobilidade Urbana, Vagner Freire, após denúncias formalizadas por moradores junto a diversos órgãos da Prefeitura, incluindo a Vigilância Sanitária.
O delegado Nilton Aparecido Marinho acompanhou os trabalhos e informou que um inquérito policial será instaurado para apurar os fatos. Segundo ele, será necessário aguardar os laudos técnicos de todos os setores envolvidos para confirmar a configuração de possíveis crimes ambientais e outras irregularidades.
Até a publicação desta reportagem, o responsável pela empresa não havia se manifestado oficialmente. O advogado Fabrício Mestriner acompanhou parte da fiscalização no local. Em contato com a reportagem, a defesa informou que só irá se pronunciar oficialmente após ter acesso à documentação completa e à forma como a ocorrência foi registrada pelas autoridades.




