3 de junho de 2026



Semana da Mulher: o eco silencioso dos 270 feminicídios em São Paulo

Por Everaldo Marques

Na semana em que se comemora o dia internacional da mulher, o barulho mais alto tem sido dos dados sobre a violência contra as mulheres.

Em 2025, o estado de São Paulo registrou o maior número de feminicídios desde o início da série histórica desse tipo de crime. Ao longo do ano, foram contabilizados 270 casos, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública. Em comparação com 2024, quando foram registrados 253 feminicídios, houve um aumento de aproximadamente 6,7%, marcando um novo recorde desde que o acompanhamento oficial começou em 2018.

Antes mesmo do fim do ano, os números já indicavam uma tendência de crescimento. Entre janeiro e outubro de 2025, haviam sido registrados 207 casos de feminicídio no estado. Nesse mesmo período, a cidade de São Paulo contabilizou 53 ocorrências, também representando o maior número da série histórica para a capital.

O feminicídio é caracterizado como o assassinato de mulheres motivado por violência de gênero, frequentemente relacionado a situações de violência doméstica ou familiar, e muitas vezes cometido por parceiros ou ex-parceiros. Diante do aumento desses casos, especialistas e autoridades têm debatido a necessidade de reforçar políticas públicas de proteção às mulheres, ampliar a eficácia das medidas protetivas e fortalecer ações de prevenção da violência doméstica.

Assim, os dados de 2025 reforçam a preocupação com o crescimento desse tipo de crime no estado e evidenciam a importância de medidas mais eficazes para garantir a segurança e a proteção das mulheres.

Dois casos de feminicídio ocorridos em 2025 no interior do estado de São Paulo chamaram atenção pela violência e reforçam os dados de aumento desse tipo de crime.

Em Birigui, uma mulher de 35 anos foi morta a facadas pelo companheiro em fevereiro de 2025. O crime ocorreu em contexto de violência doméstica, e o suspeito foi apontado como o próprio parceiro da vítima.

Já em Andradina, uma jovem de 25 anos morreu após ser atacada com dezenas de golpes de faca dentro de casa, em dezembro de 2025. O caso também foi tratado pelas autoridades como feminicídio, crime caracterizado quando o assassinato de uma mulher ocorre por razões relacionadas à violência de gênero.

Esses episódios refletem uma realidade preocupante no estado e ajudam a explicar o aumento dos registros de feminicídio em 2025, reforçando o debate sobre medidas de proteção às mulheres e combate à violência doméstica.