Projeto musical une a força dos beats eletrônicos à poética das raízes brasileiras em Araçatuba
“Batidas Encontradas” promove o diálogo entre a vanguarda e a tradição por meio de 3 pocket shows e um bate-papo; atividades são gratuitas
A confluência de universos sonoros de diversas partes do Brasil é uma das principais fontes da riqueza e diversidade da música popular brasileira. Fundamentando-se na origem popular, negra e amazônica da música eletrônica brasileira e no que é produzido musicalmente fora do eixo Rio-São Paulo, o projeto “Batidas Encontradas” tem início no próximo dia 10, sexta-feira.
Proposto pela DJ e produtora cultural RUPIN, o projeto promove o resgate histórico e a difusão da música popular brasileira em sua vertente mais autoral e contemporânea e realiza um circuito inédito de três pocket shows pelo município de Araçatuba. Todas as atrações são gratuitas.
Segundo Rupin, a curadoria teve como base a ideia de promover o diálogo entre a vanguarda e a tradição. Assim, o circuito unirá a força dos beats eletrônicos do Piseiro, Bregafunk, Tecnobrega e Vaquejada, por exemplo, com a poética das raízes brasileiras e de resistência, por meio do Forró Pé-de-Serra e da MPB.
O primeiro evento do projeto acontece no anfiteatro José Calixto, na Praça Florisval de Oliveira (Conjunto Habitacional João Batista Botelho), às 19h. Na ocasião, a cerimônia de abertura contará com a educadora Fernanda da Mata conduzindo um bate-papo com RUPIN sobre a música eletrônica. Em seguida, haverá apresentação do Trio Jurubeba e discotecagem do OENZO DJ.
Já no dia 17 de julho, Magia Negra e DJ RUPIN se apresentam no Teatro Aberto Tom Jobim, na Praça João Pessoa (Centro de Araçatuba), também às 19h. O encerramento do projeto acontece no dia 24 de julho, Biblioteca Rubens do Amaral (Bairro das Bandeiras), com o set comandado por RUPIN & OENZO, às 19h.
Sobre as atrações
DJ RUPIN é artista de Araçatuba com experiência em grandes eventos (Circuito Sesc de Artes 2024, Bienal Sesc de Dança 2025, entre outros), produtora com forte atuação na cultura LGBTQIAPN+ e traz em seu currículo o fomento local (indicada ao prêmio Odette Costa 2023/2025 e co-autora do projeto “Embraza: Amplifica” – PNAB 2024).
O DJ OENZO é natural de Araçatuba e complementa a fusão com sua pesquisa em sonoridades regionais e batidas populares.
Já o Trio Jurubeba resgata a poética regional do Forró Pé-de-Serra, homenageando Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Trio Nordestino.
A diversidade se completa com Magia Negra (São José do Rio Preto/SP), que entra na cena com o R&B/MPB autoral com letras carregadas de resistência sobre consciência racial, gênero e convívio social.
O bate-papo conduzido pela educadora Fernanda da Mata será o núcleo teórico. O evento abordará a história da música eletrônica como um território em disputa, indo além da arqueologia e visando repensar seus fundamentos para construir um futuro movido pela energia das experimentações vanguardistas populares. Essa mediação mostrará como a história das aparelhagens e do dance nacional demonstra o pioneirismo das periferias em desenvolver uma música diversa e globalizada, sobretudo brasileira.
O projeto
O projeto “Batidas Encontradas” é realizado com recursos do Fundo Municipal de Apoio à Cultura (FMC), da Secretaria Municipal de Cultura, e foi selecionado por meio do Edital Fundo Municipal de Apoio à Cultura N.º 010/2025 – Seleção de Projetos Culturais – Música.
Como explica Rupin, a proposta é inspirada nas classes populares das festas paraenses e nas aparelhagens, que são grandes estruturas móveis de som, luz e efeitos especiais que funcionam como “festas ambulantes” comandadas por DJs, declaradas Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Pará em 2022.
Segundo ela, aparelhagens como a Tupinambá há muito tempo já misturavam house pop, brega, lambada e forró mostrando que o beat eletrônico estava intimamente conectado à cultura local. “Essa musicalidade eletrônica, desenvolvida pelas mãos das classes populares, aponta para uma genealogia que vai além dos grandes centros urbanos”, complementa a produtora e DJ.
“Trazer o ‘Batidas Encontradas’ para Araçatuba, ocupando praças, anfiteatros e biblioteca pública, é uma forma de mostrar que a vanguarda e a inovação musical não acontecem apenas nas capitais. Nosso objetivo é descentralizar o acesso à cultura e provar que o interior de São Paulo é um polo pulsante de pesquisa e celebração das nossas identidades musicais”, conclui.



