Hospital de Base promove capacitação em Araçatuba para impulsionar a doação de órgãos
A dor da perda de um ente querido é um dos momentos mais difíceis enfrentados por qualquer família. É em meio a esse luto e vulnerabilidade que um ato de generosidade pode salvar diversas outras vidas: a doação de órgãos. Com objetivo de aumentar o número de famílias que dizem sim para a doação de órgãos, o Hospital de Base (HB), por meio de sua Organização de Procura de Órgãos (OPO), promove qualificação técnica com o Curso de Determinação de Morte Encefálica e Comunicação em Situações Críticas nos dias 19 e 20 de junho, no UniSALESIANO em Araçatuba, das 8h às 17h.
Essa excelência é fruto direto de uma década de treinamentos rigorosos. Ao longo de 10 anos, os programas de formação já capacitaram 312 médicos e 386 profissionais de equipes multidisciplinares, como enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, somando quase 700 especialistas que atuam em toda a região das Diretorias Regionais de Saúde DRS XV e II.
O poder da comunicação e do acolhimento
Para que a doação aconteça, a abordagem à família deve ser feita com extremo respeito. Por isso, o Curso de Comunicação em Situações Críticas foca na humanização do processo. O coordenador da OPO do HB explica a importância do treinamento das equipes para atuar em um momento delicado. “A capacitação prepara os profissionais para lidarem com os sentimentos diante da perda, ensinando a diferença entre a resposta pessoal e o comportamento profissional eficaz. Através de simulações de comunicação de morte e entrevistas para solicitar a doação, a equipe desenvolve a escuta ativa e a empatia necessárias para amparar a família. É esse acolhimento qualificado que oferece suporte emocional e ajuda os familiares a encontrarem, na doação, um legado de vida e esperança em meio à dor”, ressalta.
A importância do diagnóstico preciso de Morte Encefálica
Já o Curso de Determinação em Morte Encefálica (CDME) tem o papel fundamental de treinar médicos nas diretrizes éticas, legais e clínicas. Os profissionais são capacitados na metodologia de exames neurológicos, testes de apneia e exames complementares, além de aprenderem a conduzir corretamente a declaração de óbito e o suporte vital.
“Nosso objetivo é disseminar esse conhecimento técnico para profissionais que atuam por toda a região. Quanto mais médicos estiverem aptos a diagnosticar a morte encefálica de forma rápida, segura e precisa, mais órgãos podem ser mantidos viáveis para transplante. Isso significa reduzir o tempo de espera e aumentar exponencialmente o número de vidas salvas”, afirma Dr. Picollo.
Números que refletem o sucesso e o compromisso com a vida
O impacto da combinação entre diagnóstico preciso, abordagem humanizada e capacitação profissional fica evidente nos números da Organização de Procura de Órgãos do HB. Em 2026, a região de São José do Rio Preto (DRS XV) alcançou expressivas 90,9 notificações de potenciais doadores por milhão de habitantes, resultando no maior índice de doadores viáveis de 37,5 por milhão.
A capilaridade desse treinamento regional também transformou a realidade da OPO de Araçatuba (DRS II). Na região, que registrou 94,8 notificações por milhão, a taxa de doadores viáveis (20,7 por milhão) foi impulsionada por um crescimento histórico: o número de doadores saltou de 47 por milhão de habitantes em 2025 para incríveis 94 por milhão em 2026, um aumento de 100%. Na região da Grande São Paulo (DRS I), as notificações chegaram a 89,7, com 25,4 doadores viáveis por milhão, evidenciando os excelentes resultados acima da média estadual no Noroeste Paulista.





